Opinião, e sem pedir licença. Não vou anexar planilha, nota de rodapé nem estudo de instituto. Vou dizer o que penso, do jeito que penso, porque é isso que uma página com o meu nome deveria fazer.

Imposto é roubo

Comece pela conta. IR, IPI, ICMS, ISS, IPVA, IPTU, ITBI, ITCMD, IOF, PIS, COFINS, CSLL, CIDE, INSS. Taxa disso, contribuição daquilo, adicional de não sei o quê. Há um painel no centro de São Paulo que soma, em tempo real, o que o país arrecada — e ele nunca anda para trás. Você trabalha meses do ano para o Estado antes de trabalhar um dia para você. Chama isso do que quiser; eu chamo pelo nome. Imposto é roubo. Roubo com lei, com guia de recolhimento e com código de barras, mas roubo: alguém que não produziu nada leva o que você produziu, e você não tem a opção de dizer não.

E veja o que volta. A estrada que você pagou no combustível, no pedágio e no IPVA, entregue em crateras. O hospital que você pagou no INSS e em todos os outros, entregue em fila de corredor. A segurança que você pagou em tudo, entregue em muro alto, cerca elétrica e a esperança de não ser o próximo. E a corrupção — não um acidente do sistema, mas o sistema funcionando como foi desenhado: dinheiro tomado à força de muitos, administrado por poucos, com a fiscalização feita pelos mesmos poucos. Imposto é roubo, e o produto do roubo raramente chega onde disseram que ia chegar.

Imposto é roubo: o caso do carro

Um homem compra um carro. Financia em sessenta meses, paga o IPI e o ICMS embutidos no preço, paga o IOF do financiamento, paga a taxa de licenciamento, paga o emplacamento. Sangra três anos para quitar. O carro é dele — dele no papel, dele no esforço, dele na renúncia de tudo o que não comprou para pagar aquela parcela.

Então um ano ele não consegue pagar o IPVA. E o Estado, que não pôs um centavo naquele carro, aparece com um guincho e leva. Leva o bem que ele comprou e pagou, e o deposita num pátio, ao relento, onde sol, chuva e tempo fazem o que fazem com qualquer coisa abandonada: apodrecer. O carro não serve mais ao dono, não serve ao Estado, não serve a ninguém. Ele existe apenas como prova de que o Estado pode. Imposto é roubo — e este é o momento em que o roubo tira a máscara e mostra o rosto: propriedade que não é sua enquanto houver uma guia em aberto.

Imposto é roubo: quem tenta produzir

Tente abrir um negócio. Não uma multinacional — uma padaria, uma oficina, uma pequena empresa de software. Você vai descobrir que o Estado tem um balcão para cada passo e um carimbo para cada balcão. Alvará, inscrição, certidão, licença, vistoria, guia. Meses para começar a existir; um contador só para não ser multado por existir. Ninguém do outro lado do balcão pergunta o que você precisa. A pergunta é sempre a mesma: o que você deve.

E quando, apesar de tudo isso, o negócio funciona — quando você contrata, produz, vende, paga gente — o Estado chega para tomar a parte dele. Não a parte que ajudou a construir, porque não ajudou em nada. A parte que ele decidiu que é dele. Sobre a venda, sobre o lucro, sobre a folha, sobre o que sobrou. Imposto é roubo, e é um roubo especialmente cruel com quem produz: pune exatamente o comportamento de que o país mais precisa, e depois pergunta em seminário por que o país não cresce.

Imposto é roubo: o que eu defendo

Não defendo caos. Defendo liberdade econômica — a ideia simples de que quem produz decide o que fazer com o que produziu. Defendo um mercado liberal, em que preços, salários e negócios sejam acertados entre pessoas, e não ditados por quem nunca assinou uma folha de pagamento. Defendo um Estado pequeno o bastante para caber na sua função — proteger a vida, a propriedade e os contratos — e não um centímetro maior. Defendo a iniciativa privada, porque cada coisa boa que uso todos os dias foi feita por alguém que queria vender e ganhou o direito de ganhar.

Acredito que a estrada seria melhor se quem a usa pagasse a quem a mantém, e pudesse trocar de fornecedor. Que o hospital seria melhor se o paciente fosse cliente, e não senha. Que a segurança seria melhor se o dinheiro que hoje evapora em intermediários fosse gasto por quem precisa dela. Que a corrupção diminuiria pelo único remédio que já funcionou em algum lugar: ter menos dinheiro alheio para desviar. E acredito que um país onde abrir um negócio leva uma manhã, e não um semestre, teria mais negócios, mais emprego e mais gente com motivo para ficar.

Isso é opinião. Não tenho gráfico para provar, e não vou fingir que tenho. Mas tenho guias na gaveta — o IRPF, o DAS com PIS, COFINS, CSLL e INSS embutidos —, uma estrada esburacada na porta e um painel no centro de São Paulo que não para de subir. Imposto é roubo. Eu só me recuso a chamar de outra coisa.